TÚLIA SALDANHA; Curriculum Vitae resumido
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Fotografar o painel de João Abel Manta que se encontra no jardim (???...) da Associação Académica de Coimbra, no seu conjunto, é uma tarefa difícil.
As luzes, as sombras, a desarrumação geral à sua frente, o "horizonte" deprimente, produzem um resultado sempre problemático.
Já tentei mais do que uma vez, mas terei de regressar ao local e tirar proveito de condições de luz natural um pouco mais propícias. Tratar do jardim e organizar a paisagem... está para além das minhas posses...
O que junto abaixo é apenas para dar uma ideia:
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O “trombinoscópio” é uma invenção (entre muitas outras) de um engraçadíssimo conjunto de músicos-actores-animadores, que esteve presente na baixa de Coimbra, no Largo de Sansão (nome antigo e muito mais engraçado que um histórico “8 de Maio”), no dia de hoje, 1 de Março de 2008, no contexto das iniciativas da Semana Cultural da Universidade de Coimbra.
Os artistas são: Thierry Daudé (Trompete), Alfred Spirli (Percussão), Daniel Malavergne (Tuba), e Philippe Neveu (Oboé Languedócio).
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Tirei muitas fotografias dos rapazes, que improvisam música ao mesmo tempo que aproveitam um talento particularmente desenvolvido para interagir com todo o público ali presente.
Hoje não posso pô-las todas aqui, porque já é tarde, mas um dias destes, quem sabe...
A manhã terminou feliz para nós, com um simpático almoço no “Salão Brasil”, onde além da refeição, também fomos “servidos” com música gravada de Rão Kyao (o seu formosíssimo “Porto Interior”, que tem assim ares de China e Portugal casados em harmonia doce !...).
O Salão Brasil, a entrada lá para cima é ali ao lado direito:

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Muita gente que usa (e usou...) capa e batina, passará ao longo deste trecho da Avenida Sá da Bandeira, à frente do Teatro Académico de Gil Vicente e do complexo de
instalações da Associação Académica de Coimbra, não tendo reparado atentamente nos painéis de João Abel Manta, de 1958, que ali se encontram aplicados.
É possível, e é de lamentar que uma tal coisa possa acontecer, até porque os sete painéis do grande artista (merecedor de destaque no elenco dos maiores da História da Arte em Portugal, e não apenas do seu século) é uma obra dedicada "à evolução do traje académico"!...





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Fomos hoje passear à Serra, andámos por estradas incríveis e o que nos valeu foi a maravilhosa chuva que criou aquelas cortinas imensas que nos permitem deixar de ver os pequenos e vulgares acidentes da paisagem, e passam a deixar-nos entender toda a incomensurável natureza das coisas.
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falta foto, desculpas
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Passo pelas grades de um jardim de infância.
Sou atraído pelo galrear alegre das crianças, pelo irresistível apelo da sua pureza de alegria e juventude.
Puxo da minha máquina/bloco de apontamento e tiro duas fotos.
Ai de mim!.... Oh infeliz, oh réprobo, oh mal aventurado!...
Sou rodeado instantaneamente por um grupo de vigilantas, cheias de zelo proibitivo e de argumentos esmagadores.
- Está bem, desculpem, está bem, eu prometo que não torno!...
Apaguei as fotos (duas fotos!...) ali logo na presença enérgica da única vigilanta que sobrou para dialogar (desconfiada e azedamente) comigo.
Se eu fosse criminoso preparando um roubo de crianças, teria fotografado de longe, à socapa, com uma lente de longo alcance. E se quisesse mesmo roubar, para que diabo ia fotografar antes???...
Se eu fosse fotógrafo profissional namorado da prima do vizinho de não sei quem, ia lá dentro e podia fotografar os meninos todos, com nome e morada, e os papás até me pagavam.
Não sei se isso me daria direito a aprisionar o corpo (ou a alma..) deste ou daquele menino.
Entre fotografar um bando de crianças vestidas todas de igual, anónimas no vozear cristalino da sua alegria colectiva, e roubar uma delas, levá-la para longe de avião, sumi-la do doce afago de seus amorosos pais… vai uma certa distância!...
O que ressalta de tudo isto não é o zelo de quatro ou cinco vigilantas, nem o perigo real que a situação envolve.
O que ressalta é a desconfiança radical, a vulnerabilidade das pessoas isoladamente, os estereótipos duma coisa que se não sabe, mas se pressente e é esmagadora.
A raiz do medo em suma, a planta funesta que seria desejável extirpar do coração do mundo, a golpes de ternura e de justiça; a golpes de paz e de amor pelo próximo.
Devoradores de telejornais, aceitamos placidamente todas as reportagens indiscretas (frequentemente obscenas e até imorais) da televisão.
A televisão é o poder.
Está acima de todos os outros “observadores” da realidade.
Pode entrar sem bater à porta, surpreender os pobres na sua vergonha de modéstia, os doentes no seu desconforto doloroso, aqueles que choram os seus mortos para exibir indecorosamente a sua dor e o seu irreparável desgosto.
Um rapaz como eu não pode assomar-se a um jardim infantil, comovidamente escondendo a lágrima saudosa de seus netos, sem que as eficazes vigilantas vejam em mim o pedófilo ameaçador, o raptor iníquo, o infamante violador.
Oh pobres almas, Oh triste mundo!...
Passear Coimbra foi passar um fim-de-semana a Lisboa.
Significa isto que “a cidade” é, mais do que um conjunto de lugares, um encadeado de vivências e percepções.
Esta e as outras Coimbras (porque há muitas: todas iguais, todas diferentes, como as pessoas que nelas habitam) encontramo-las onde soubermos e onde nos seja possível estar e aprender convivendo.
As cidades são amores difíceis.
Impõem-nos uma disciplina de dedicações múltiplas: um querer sabê-las, um querer vivê-las à medida dos meios de que dispomos.
E tempo que permita construir a memória.
E vozes que se cruzem com a nossa.
Mais do que morarmos nelas é necessário que morem elas em nós e tenhamos o privilégio de conhecer a suas múltiplas faces, as mais hospitaleiras e felizes, ou as mais contraditórias e dramáticas.
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Domingo de manhã aponto para um objectivo muito apetitoso: uma visita com vagares e olhos bem abertos à estação do Jardim Zoológico, decorada com temática a propósito em azulejos da autoria de Júlio Resende.
É um encantamento.
Todo o espaço, paredes e até o próprio chão, estão recobertos com mil e uma sugestões que nos levam de visita ao esplendor da selva. A calçadinha à portuguesa vem fazer companhia aos azulejos, acrescentando sugestões de passear no verde selvagem, em veredas e figuras que se colam aos nossos passos, convidando-nos a reviver uma desejada infância contornando por aqui, correndo por acolá.
Uma selva perigosa, cheia de susto e de animais ferozes? Não!...
Esta selva tem tudo na cor, no espanto, no canto musical das aves e no seu esvoaçar aberto de penas macias e grandes esperas ao poente.
Uma arca de Noé com flores e todo o género de adereços naturais ali, onde é fácil esquecer que estamos debaixo da terra, passando os comboios de tantos em tantos minutos.
Uma certa distracção provinciana, ou o entusiasmo de pensar que o mundo − nem que seja por instantes − pode deixar de ser aquele sítio chato em que o cidadão se não é tramado assim, é tramado assado, impele-me a olhar livremente, puxando da tal maquineta fotográfica com que faço este “passear Coimbra” e vai disto:
fotografia para aqui, fotografia para acolá, flash quando é preciso, com toda a alegria e sem temor!...
O pior, é o mais mau!
Há dezenas de anos que ando de Metro em Lisboa, nunca vi um daqueles Senhores fardados chamar a atenção de quem passa para os azulejos:
- Meus Senhores, reparem só um instantinho, temos aqui uma obra de arte para mostrar a toda a gente: Vejam só estes azulejos, uma maravilha!...
Nunca, jamais, em tempo algum.
Mas naquele Domingo de manhã lá veio não um, mas dois fulanos (um à paisana, primeiro, outro fardado, depois) dizer-me que não podia tirar fotografias (“…por causa dos direitos de autor!…”)
Direitos de autor? Umas tanas!...
Pelo que lutam estes extremosos “defensores de direitos” é por uma noção redutora e burocrática da cultura. Uma cultura com açaimo, onde os direitos são os de não olhar para as coisas, afirmando uma posse sem horizontes de objectos que se não estimam, nem divulgam, nem amam.
Bem como toda a obra do Metro (que a princípio toda a gente chamava “o centímetro”, porque era pequenino) também ajudei a pagar os painéis. Para não falar nos bilhetes e passes, que já paguei muitos, para poder viajar de Metro, um sítio tão público que é como se estivesse ao ar livre, como nas praças e ruas do meu país!...
Havia, apesar de tudo, uma tonalidade hesitante no recado repressivo dos fulanos que mandaram parar com as fotografias. Estariam com pena das minhas ingénuas fotografias, ou estariam com vergonha de importunar um cidadão em pleno exercicio dum legítimo encantamento?!...
Vá lá saber-se...
Alguém os deve ter mandado.
Alguém que nunca deve ter olhado para os azulejos rachados, manchados, sujos, partidos e descolados que já por ali abundam!...
Defesa dos direitos de autor? De que autor?
Eu sou autor do meu olhar e sou cidadão deste país e não devo nada ao Metro, nem aos Administradores que ganham tanto que nem devem precisar de andar de Metro, mas mandam dar ordens sem pés nem cabeça que estragam uma manhã a quem tenha um minuto de alegria dourada tirando recordações de uma parede em Lisboa, para poder mostrá-la aos amigos em Coimbra.
Direitos de Júlio Resende? Hum, duvido muito!...
O artista, se soubesse o amor com que olhei a obra de sua autoria, ia regalar-se, tenho a certeza.
E as fotos de recordação, ia vendê-las, não querem lá ver?!...
Oh Senhores Administradores, se aqui estivesse a grande poetisa Natália Correia dir-vos-ia:
“…Oh esfomeados do sonho
A Poesia é para comer…”
…
E eu acrescentaria:
“…Oh burocratas néscios
O que é belo é para toda a gente ver!...”
.Para passear Coimbra, hoje, não tive de andar muito.
Fui até Santo António dos Olivais, que fica a um tiro de espingarda dos sítios onde moro, santuário de emocionadas devoções, igreja bonita que já foi singela e solitária e que agora é cada vez mais um local descaracterizado, como tantos.
falta foto, desculpas
.Esta imagem é, ainda assim, a visão mais aceitável do conjunto actual em que a finura branca do santuário se vê crescentemente subalternizado pelo empolamento de tudo aquilo que tem sido acrescentado à sua volta, esquecendo nós propositadamente o tolerado e sacrossanto caudal de veículos motorizados ali sempre presente quer em estacionamento quer em deslocação, o seu pesadíssimo viaduto, etc.
As casas velhas caiadas deram lugar a "uma coisa" amarelo-barulhenta com "aplicações" vermelhas e variedade de adornos que são o acompanhamento que poderíamos imaginar de menos adequado para aparecer ali.
As oliveiras, árvores que "dão luz ao mundo" tal como diz a adivinha popular, fazem neste declive coberto de relva pouco verde o favor de ocultar parcialmente essa desconfortável presença, dando a mão a um sem número de razões da tradição cultural mediterrânica e cristã que se associam à índole do local, ao seu nome e aos seus significados.
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falta foto, desculpas.
Há uma vez por ano em que a tradição popular insiste em fazer-se sentir em torno deste santuário contra ventos e marés, pondo de pé a romaria do Espírito Santo que acentua de forma radical a alacridade contraditória vigente em todo aquele espaço.
Ainda assim, penso que a circunstância desconfortável de ela aparecer ali só uma vez por ano nada tem de reprovável, muito embora seja sobejamente clara a pouca adequação do espaço disponível para o efeito.
Para obviar a uma tal questão no seu plano global, teria que ter sido pensada em tempo útil, rodeada de empenho legítimo por quem de direito. Mas isso...
As pessoas que promovem a romaria, aliás, estão tão habituadas à exiguidade, ao acantoamento, à falta de condições, que se assim não fosse a romaria não seria o que é.
O povo que a frequenta, aliás, também iria estranhar e, quem sabe, já nem lhe daria o valor.
.falta foto, desculpas
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Dito o que está dito, faltava-me passar o pórtico, subir as escadas, e completar a visita observando o muito que ali há para ver.
.Chegando lá acima, ao espaçoso terraço que ao lado da igreja se debruça sobre o cemitério adjacente, esquecem-se por encanto todos os aleijões e desacertos que vão cá por baixo atravancando a vista e o entendimento do lugar.
O horizonte que se abre à vista de quem ali vai é tão aberto e magnânimo que não se contam os minutos olhando os longes e apreciando como é enorme a beleza do DIA, cortina passageira de intensa claridade azul que nos esconde da grande noite sideral.
falta foto, desculpas
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.Uma casualidade feliz fez com que tivesse encontrado uma senhora minha conhecida, activa nas práticas de devoção daquela igreja.
Perguntou-me com toda a simpatia se queria visitar a sacristia, ao que respondi afirmativamente, por saber que é local de ver e rever, pela qualidade e valor do património ali existente.
.falta foto, desculpas
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Tive o prazer de ser apresentado a Frei Adriano Zorzi, religioso oriundo de Itália que comigo conversou com imensa gentileza e me ofereceu um conjunto de documentos informativos e imagens respeitantes àquele respeitabilíssimo monumento.
.É num local como estes que se confirma de modo seguríssimo que a talha dourada e os azulejos azuis e brancos são uma associação prodigiosa que muito ilustrou as artes decorativas em Portugal.
Grandes templos de majestosa arquitectura e decoração sumptuosa não faltam por esse mundo.
A talha dourada e os azulejos azuis e brancos são, contudo, uma ideia muito abundantemente praticada em Portugal que afirmou as nossas artes decorativas num plano de vincada originalidade.
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O património artístico de Santo António dos Olivais está apoiado nesse e noutros argumentos de muito valor, a pintura e o mobiliário por exemplo, que justificam bem uma visita demorada.
.Como ponto de partida para uma tal visita, não esqueçam os meus leitores em casa o lado desperto do seu olhar e o interesse artístico, que são muito mais importantes que a erudição pesadona, às vezes muito chata e completamente inútil no que toca à defesa real e concreta do nosso património de outros tempos, e da arte viva na nossa própria actualidade.
.Digo isso sem deixar de recomendar o site da igreja que está na net
http://santoantonio.com.sapo.pt/
Alerto além disso todos os visitantes deste blog que não adianta nada a um país e a uma sociedade presumirem de cultos e interessados em artes e tratarem tudo o que é património assim tão tosca e desajeitadamente como ali se vê em Santo António dos Olivais, o que de modo sintético se torna claro pelo pouco que aqui fica dito muito resumidamente, e demonstrado pela evidência das imagens.
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.falta foto, desculpas
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